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Rádio Uirapuru - Agronegócios

Publicada em: 05/03/2018 , por Jornalismo Uirapuru

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Mais antigo produtor de milho: 70 anos de dedicação à agricultura

O produtor recebe o Prêmio Destaque Uirapuru na categoria Produtor Modelo.

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Conforme os dados da FAO (Food and Agriculture Organization), o continente americano é responsável por cerca de 52% de todo milho produzido no mundo – uma das principais commodities agrícolas negociada nos mercados internacionais. Entre os países, o Brasil é o terceiro maior produtor, com aproximadamente 8% do total produzido no mundo em 2015. É superado apenas pelos Estados Unidos que produz cerca de 36% e pela China que produz 21% do total da produção mundial.

 

Entre as unidades da federação, o Rio Grande do Sul é o sexto maior produtor de milho em grão do Brasil, superado pelos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Mato Grosso. Considerando a última década, de acordo com a Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE, o RS apresentou um aumento de 74% da quantidade produzida, passando de uma média de 3.130.015 toneladas no período de 2004- 2006 para uma média de 5.457.618 no período 2013- 2015. Deve-se observar, no entanto, que a área plantada com esta cultura apresentou oscilações neste período.

 

Na última década, de modo geral, a trajetória foi de queda da área plantada, embora não acentuada, contrastando com o aumento da quantidade produzida. Assim, com base na relação quantidades produzidas – área plantada, no período considerado, pode-se observar um relativo ganho de produtividade no RS através do emprego de novas tecnologias e do manejo do solo, como por exemplo, o método de plantio direto. Vale lembrar que o cultivo do milho no Rio Grande do Sul é, em geral, consorciado com a cultura da soja, entre outras culturas, e que é possível obter o produto através de mais de uma safra anual. E ainda, o seu cultivo está fortemente relacionado com a cadeia de produção agroindustrial de aves e suínos.

 

A vocação agrícola do Rio Grande do Sul é inquestioná- vel. Desde de o início da colonização pelos europeus, o estado encontrou neste setor a base econômica para se desenvolver. Dentre a produção, o milho, o trigo e a soja são os carros-chefes. Com relação à cultura do milho, o estado é hoje um dos maiores produtores. Mas é em Passo Fundo que encontramos um dos mais antigos produtores dessa cultura.

 

A formação acadêmica foi em Direito, mas a grande paixão e realização da vida foram as atividades de agricultura e pecuária. Esse é Justiniano Augusto de Araújo Trein, o mais antigo produtor de milho de Passo Fundo. Desde seu ingresso nessa atividade, ainda influenciado pelo pai, se passaram 70 anos. Neste período, a dedicação integral às atividades do meio rural somente foi deixada um pouco de lado quando se dedicou à vida política, tendo sido eleito vereador por dois mandatos, e quando ocupou as cadeiras de deputado estadual e federal.

 

“Foi em 1948 que comecei a trabalhar com meu pai na atividade agropecuária, quando eu tinha então 18 anos. Hoje tenho 88. Então lá se vão 70 anos nessa atividade”, conta. Ao longo desse tempo, além da atividade no meio rural propriamente dita, criou a Agropecuária Cambará, onde hoje tem como sócio o filho. “Sou o mais antigo produtor de milho de Passo Fundo. O que eu mais gosto de fazer é trabalhar com agropecuária”, ressalta ele, em entrevista por telefone, feita de São Borja, onde estava também cuidando da propriedade da família.

 

Em todo este tempo de atividade, conhece como ninguém as características da lavoura e sabe quanto o clima influencia em cada está- gio da plantação, seja cultura do milho como na da soja. Por isso, ele avalia que a região de Passo Fundo deve ter uma produção muito boa, especialmente no milho: “com o clima que tivemos está correndo muito bem e produção de milho foi beneficiada com isso. A soja está no período de enchimento do grão e como Passo Fundo é um lugar privilegiado, onde choveu bem, teremos uma boa safra”, comemora.

 

O produtor recebe o Prêmio Destaque Uirapuru na categoria Produtor Modelo.

 

Evolução permite dobrar a produtividade

 

A evolução da produtividade também é destacada por Trein como grande avanço das últimas décadas. “Antes do plantio direto, nos trezentos hectares que planto e produtividade chegava, com muito cuidado e carinho com a lavoura, em no máximo 100 sacas. Agora, na mesma área estou me aproximando de 200 sacas, quem sabe até mais nessa safra”, revelou.

 

Conforme o experiente agricultor os principais fatores que contribuirão para que a produtividade dobrasse, além do plantio direto, estão as variedades de sementes transgênicas, cuidados com o solo, e a qualificação do agricultor. “O milho com alta produtividade proporciona maior renda. O problema é a comercialização”, acrescentou.

 

Com muitos anos de dedicação, não pensa em abandonar o cultivo do milho nas suas terras. “É importante para a rotação da lavoura. Onde plantei milho nesse ano, planto soja no próximo. E assim vai. Em cinco anos o ciclo de rotação se fecha e o solo permanece muito bom para continuar plantando”, concluiu.

 

Carreira política

 

Nascido em Passo Fundo no dia 28 de janeiro de 1930, filho de Edmundo Válter Trein e de Ziza de Araújo Trein, Justiniano Augusto de Araújo Trein, bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul em 1958. Advogado e agropecuarista, foi vereador em Passo Fundo de 1956 a 1964, ocupando, nesse período, a presidência da Câmara Municipal. Disputou o pleito de novembro de 1970, sendo eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena). Na Assembleia exerceu as funções de vice-líder da bancada de seu partido entre 1971 e 1972. Foi também membro da Comissão de Constituição e Justiça, presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que estudou problemas ao meio ambiente causados pela Indústria de Celulose Borregard e presidente das comissões especiais sobre os problemas da triticultura e a viabilidade econômica da ferrovia L35.

 

Foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul em novembro de 1974, na legenda da Arena, assumindo o mandato em fevereiro de 1975. Na Câmara, participou dos trabalhos da Comissão de Economia, Indústria e Comércio e foi também suplente da Comissão de Comunicações. Reelegeu-se deputado federal, em novembro de 1978. Em março do ano seguinte, no entanto, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria do Trabalho e Ação Social do Rio Grande do Sul, no governo Amaral de Sousa

 

Desincompatibilizando-se do cargo de secretário em maio de 1982, reassumiu sua cadeira na Câmara e, em novembro seguinte, elegeu-se para mais um mandato federal, desta vez na legenda do PDS, sendo empossado em fevereiro de 1983. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1987, ao final da legislatura. Abandonando a carreira política, retornou a Passo Fundo, onde dedicou-se ao seu escritório de advocacia e a atividades empresariais nas áreas da produção de sementes e da construção civil, entre outras.

 

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