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Rádio Uirapuru - Geral

Publicada em: 12/06/2018 , por Jornalismo Rádio Uirapuru

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O poder de fazer sorrir

Através de ações lúdicas, projeto desenvolvido em Passo Fundo desenha sorrisos e espalha amor

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Créditos: Reprodução/Facebook
O poder de fazer sorrir

Muitas pessoas acreditam que o sorriso é o melhor remédio para a cura, seja do coração, da alma ou até mesmo do corpo. É nisso que os voluntários do Projeto Desenhando Sorrisos acreditam: o sorriso tem poder de mudança e de conforto. Proporcionar felicidade é o mesmo que levar luz, espalhar energias positivas e, de certa forma, até curar.

 

Descobrir uma doença, por menor que ela seja, é sempre um choque. É como se tudo o que foi vivido até então se anulasse e que o fim da linha estivesse próximo, antes mesmo de se alcançar objetivos, metas e sonhos construídos durante a caminhada. Muitas coisas perdem o sentido, o cansaço chega mais rápido e a força para seguir em frente diminui dia após dia.

 

São nesses momentos que pequenos gestos ganham proporções gigantescas. Abraços acalentam. Apertos de mão consolam. Sorrisos “desenham” a esperança, a fé e o conforto. E esses gestos são os objetos de trabalho do projeto desenhando sorrisos. Gestos que têm o poder de fazer sorrir.

 

O projeto

 

A trajetória do projeto desenhando sorrisos iniciou a partir da ideia da farmacêutica bioquímica, Melina Rodrigues, que atualmente coordena as atividades desenvolvidas pelo grupo. Fundado em agosto de 2014, o projeto foi idealizado para proporcionar ações lúdicas com os pacientes em tratamento oncológico em Passo fundo, nos hospitais da Cidade (HC) e São Vicente de Paulo (HSVP).

 

A proposta inicial do projeto partiu de uma experiência vivida por Melina ainda na faculdade, quando teve contato com um paciente com câncer e percebeu que atividades lúdicas o ajudavam no tratamento e auxiliavam significativamente para uma melhora rápida.  “A vontade de trabalhar com crianças em tratamento oncológico surgiu quando ainda estava na universidade. Tive contato com um paciente da oncologia, o qual acompanhei, fazendo visitas semanais, durante seus últimos três meses de vida. O retorno extremamente positivo dele, e de seus pais, que até hoje me ligam em datas especiais e agradecem pelos momentos alegres que ajudei a proporcionar, foi gratificante e me impulsionou e deixar a simples vontade de lado e realizar algo mais concreto”, explica Melina.

 

Depois de estudar alguns artigos científicos que tratam do impacto positivo destas atividades lúdicas no tratamento dos pacientes, Melina elaborou um projeto e apresentou para a Oncologia Pediátrica do hospital, que acolheu a ideia e passou a oferecer um espaço para a realização das atividades.

 

Qualquer doença que acometa a criança traz incômodo para ela e apreensão à família. O câncer, por sua vez, agrava o sentimento de impotência dos pais, e retira a criança de sua rotina de casa e da escola, devido ao tratamento, muitas vezes, longo e penoso. “Temos como objetivos recuperar o sentimento lúdico perdido na rotina maçante de tratamento, proporcionar momentos de distração e alegria, retomar o brincar, aliviar o estresse do ambiente hospitalar, gerar novo assunto entre a criança e os familiares que conversam sobre as atividades, estimular a criatividade, envolver as crianças e os familiares em uma atmosfera mais leve e divertida”, destaca Melina.

 

Doar-se: o trabalho dos voluntários

 

Prestes a completar três anos de existência, o projeto conta atualmente com cerca de 30 voluntários, sendo esses em sua maioria enfermeiros, estudantes e pessoas da comunidade, que dedicam seu tempo para ajudar na realização das atividades de recreação. Conforme dados fornecidos pelo próprio projeto, até então, mais de 100 crianças foram atendidas com as atividades desenvolvidas pelos voluntários.

 

Os voluntários são pessoas das mais diversas idades (de 18 a 73 anos). Embora atuem em diferentes áreas na vida profissional, a união de todos se concretiza através de uma vontade em comum: fazer algo pelo bem do outro. No projeto a união faz a força, e o amor e a amizade fazem o mundo melhor.

 

Para a voluntária Silvana Núncio, “a maioria das pessoas se limita, mas eu não nasci limitada, primeiro eu digo ‘eu vou’, para depois ver se eu posso. Porque se a gente se limitar a gente fica pequeno a vida inteira, e eu acredito que temos que estar sempre buscando mais, fazendo mais”.

 

O poder contagiante do amor ao próximo

 

Nas salas de espera, nos corredores de hospitais ou nos setores de oncologia. São nestes lugares que os pacientes, crianças, jovens, adultos e idosos, aguardam para iniciar a luta pela vida. Tristes e silenciosos, esses espaços remetem a dor de se viver uma doença. Nestes locais, os “sorrisos” são quase imperceptíveis, mas os sorrisos dos voluntários chegam como forma de esperança. É como se do fim do túnel uma luz resplandecesse e o gosto de viver e a certeza de que tudo pode dar certo ganhasse vida.

 

São nos gestos simples, nas pequenas ações e palavras que os voluntários são lembrados pelos pais e pelos próprios pacientes. Fernando Augusto Sepp, 15 anos, conheceu o projeto em uma das consultas que realizou no Hospital São Vicente de Paula. Segundo a mãe do garoto, Ana Lúcia Sepp, o projeto é um remédio para os momentos de dor. “Jamais vou esquecer a alegria que o projeto trouxe em nossas vidas. Fico grata até hoje pela iniciativa de cada membro em tirar tempo para fazer com a dor de quem estava lá no hospital fosse esquecida por algumas horas. Amo o projeto nunca vou esquecer tudo o que fizeram por nós”, relata.

 

Além de ser uma fonte de esperança, ações de bem auxiliam emocionalmente. Os tratamentos realizados pelos pacientes da oncologia são fortes e causam um desgaste muito grande, não só físico, mas também psicológico. “O tratamento é muito agressivo e mexe muito com o emocional e psicológico de quem está naquele ambiente, sem falar dos efeitos físicos e colaterais. Com os voluntários não me sentia sozinha, sei que tinha pessoas torcendo pela melhora do meu filho e me dando forças para continuar”, conta Mariangela correa de Souza, mãe do pequeno Heitor, que com apenas cinco anos foi diagnosticado com câncer.

 

Para Mariangela, muitos momentos são marcantes, mas uma lembrança muito especial é da festa de natal de 2016 realizada pelo projeto. Segundo ela, o sorriso estampado no rosto do filho era a celebração da vida. “Cada abraço que recebemos naquele dia significou muito para nós. Era o fim de um ciclo em nossa vida. Após o final do tratamento o ciclo se encerrou, mas o laço de amizade se manteve. Ao encontramos as pessoas envolvidas com o projeto o sentimento é um só: gratidão”.

 

O amor em forma de ações

 

O Projeto, que iniciou com ações na Oncologia do Hospital São Vicente de Paulo, foi crescendo e ganhando forma.  Na medida em que as pessoas iam conhecendo o projeto, iam também se voluntariando para participar. Mais tarde, o Desenhando Sorrisos passou a atender adultos, a realizar ações na radioterapia e hemoterapia, além de estar presente no Hospital da Cidade.

 

A marca do projeto é desenvolver atividades de interação com os pacientes – conversas, brincadeiras, jogos – e participar/apoiar eventos ligados à área da ajuda e de combate ao câncer. Mas as atividades não se limitam somente a isto.

 

Ações de doação de cabelo também fazem parte das atividades. Na cidade de Passo Fundo, diversos salões de beleza são parceiros do projeto. Assim, qualquer pessoa que queira fazer o bem pode colaborar. Com o cabelo doado são confeccionadas perucas para pacientes que perderam os cabelos naturais durante o processo de tratamento do câncer.  Pessoas interessadas em doar devem seguir as seguintes orientações: o corte deve ter no mínimo 15 cm e pode ser levado ou para a Oncologia do Hospital da Cidade, ou para a Oncologia do Hospital São Vicente.

 

Transformar sonhos em realidade é mais uma ação do projeto. Desenvolvido pelo Desenhando Sorrisos, o projeto Cinderela, que aconteceu em 2016, realizou o sonho da festa de 15 anos de algumas meninas que estavam em tratamento. O grupo de debutantes além de ganharem a festa, foram surpreendidas com a visita do cantor Luan Santana.

 

“O projeto Cinderela foi muito bem planejado, muito querido por todos que estavam acompanhando e foi realizado em parceria com o Hospital São Vicente. Desde o início as pessoas e empresas se mostraram abertas a ajudar, tanto que para o projeto não teve custos, tudo foi arrecadado”, comenta Vanessa.

 

Envolvido em diferentes causas, o Desenhando Sorrisos ajuda também o projeto Unidos do Cromossomo 21, que atende crianças com Síndrome de Down. Além disso, recentemente os voluntários realizaram uma campanha de cadastramento de doadores de medula óssea. Segundo informações da voluntária Melina, durante um dia de campanha, 33 novos cadastros foram realizados.

 

Gratidão e amor pela vida

 

Quando questionados, os voluntários são unânimes na resposta de que a alegria de doar o seu tempo é muito maior do que a de quem a recebe. Gratos pela vida e por poder fazer o bem ao próximo, acreditam que o mais gratificante em realizar esse trabalho voluntário é poder ver a o brilho nos olhos e o sorriso no rosto dos pacientes. Para o estudante e voluntário Cleison Maschio, “o sentimento que melhor define o projeto é o amor pela vida”. 

 

Por estarem constantemente em contato com os pacientes, os voluntários já acompanharam muitas histórias de vida. Histórias de pessoas com um caminho já traçado e de outras pessoas que apenas percorreram pequenos “trajetos”, mas todas as histórias são marcantes por terem um ponto em comum: o desejo de viver. “A gente passa a encarar a vida e os desafios de uma forma diferente. Às vezes achamos que nossos problemas são enormes e estamos o tempo todo os dramatizando. Tudo é tão pequeno quando vemos o que realmente importa”, comenta a advogada e voluntária, Eliane Pivotto. “O amor e a alegria são contagiosos. Contagiar-se a si próprio é maravilhoso, mas contagiar o outro é contagiar-se em dobro”, conclui. 

 

Os próximos passos do projeto

 

Com o tempo, o projeto, que deu seus primeiros passos no ano de 2014, foi crescendo. Além de diversos voluntários, o projeto conta hoje com inúmeros parceiros e colaboradores empenhados em fazer o bem.

 

Há cerca de dois anos, a oncologia pediátrica, onde os trabalhos iniciaram, se tornou o Centro Oncológico Infanto juvenil, e o setor de Oncologia do HSVP, outro lugar onde as atividades eram realizadas com frequência, agora é o Instituto do Câncer.

 

Com as reestruturações das instituições e reorganização do processo de voluntariado, o projeto deixou de atuar diretamente com os pacientes que frequentam esses locais, mas não deixou de colaborar e apoiar sempre que possível.

 

“Gostaríamos de esclarecer que não somos vinculados às instituições, nem estamos mais trabalhando diretamente com o setor. De qualquer forma permanecemos disponíveis como ponte entre a comunidade e a equipe quando necessário. Igualmente seguimos trabalhando em parceria com a oncologia do HCPF, Projeto Egrégora, Grupo Unidos pelo Cromossomo 21, e onde mais formos chamados”, esclarece Melina.

 

“Somos um grupo de amigos que se uniu em busca de fazer o bem e é isso que continuaremos fazendo. A nossa missão é cada dia fazer um pouquinho mais pelo bem do outro”, garante Melina.

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